O sol brilha lá fora, o vento corre solto por todos os cantos da cidade, desde que o sol nasceu as pessoas levantam-se de suas camas, de suas redes, de seus papelões e contemplam o mundo que surge banhado de luz e de vida. O movimento começa, carros pequenos, ônibus e bicicletas pululam de forma abundante todas as vias da urbe. Transeuntes caminham céleres em direção à lugares os mais diversos, trabalho, escola, faculdade ou até mesmo uma praça para apreciar a manhã, para esperar a oportunidade de alguma coisa.

O tempo passa em uma velocidade vertiginosa, os minutos correm agalopados nos relógios de pulso, será que vou conseguir chegar a tempo? Vou chegar atrasado, mas meu patrão há de me perdoar, eu também hei de me perdoar, não vou sofrer por isso, basta esse ônibus lotado onde não há lugar nem para se respirar direito, queria sentar, queria pelo menos espaço para descer do ônibus sem me agastar. Peço à Deus que eu tenha esse emprego por muito tempo, preciso pagar minhas contas, preciso morar em algum lugar, tenho medo de um dia ir morar na rua, de não ter como me sustentar, de ficar esquecido em uma esquina ou debaixo de uma marquise, mas Deus há de me sustentar, há de prover o necessário, há de abrir portas e fechar portas.

A correria é pulsante em todos os cantos, a pressa é amiga da vida citadina, tudo acontecendo ao mesmo tempo, as lojas com suas portas abertas chamando os clientes com promoções relâmpago. Um palhaço faz seu show no meio do burburinho, e passa seu chapéu vermelho corroído pelo passado, de aspecto engraçado, arrecadando moedas com um sorriso estampado na cara. Homens e mulheres trafegam nas ruas semiconscientes, olhando-se para se desviarem, para não colidirem. Homens, mulheres e crianças pedem esmola espalhados pela cidade, sentados na calçada, e o sol, espalha sua radiação sobre todos eles, sobre todas essas almas criadas pelo demiurgo, operário de Deus.

Há um silêncio por detrás de toda essa algazarra, há um silêncio sob todas as coisas que existem, há um silêncio sobre as imperfeições do cotidiano. O mar impassível banha as beiradas da capital, no seu cadenciado murmurejar, no seu constante movimento de ir e vir, trazendo frescor para os habitantes da grande metrópole. Dentro de uma casa, em um quarto qualquer, um homem pensa sobre tudo isso e fica pasmo com o movimento percebido nessa realidade política, tudo isso que acontece é feito para nutrir-se? Para ganhar seu quinhão de poder? Para amar? Para viver...? E viver? Tem um fim em si mesmo? A cidade é um organismo vivo que cresce, desenvolve-se e degenera, local do crime e da redenção, da vida viva, a cidade é o que há de mais humano, todo o resto é imundo, por mais que esteja limpo, todo o resto é desordem, apesar do caos da urbe. A cidade produto da cultura, cidades inteligentes, cidades arcaicas, cidades despreparadas, cidades analfabetas, cidades perversas, cidades de Deus. O escuro paira noite adentro, os postes mostram o caminho, a luz do sol esmaece as trevas que se escondem por de trás das malocas, e hoje nasceu mais um cidadão, chama-se Pedro, natural de Fortaleza.

 

 

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Comentário de Maria |Helena Campos da Paz em 19 abril 2017 às 18:35

PREZADO POETA DANIEL ANTONIO SILVA BRITO

UM TEXTO PRIMOROSO SOBRE AS REALIDADES DA VIDA!

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