“Ela fala pelos cotovelos!….Mas que cotovelos”.

Disse o escritor Rubem Braga no Degrau, bar do Leblon, sobre a mulher por quem era apaixonado, Tônia Carrero. Eles já tinham se tornado apenas amigos. Braga sussurrou isso a Paulo Mendes Campos, numa mesa boêmia. Ele, calado como sempre. Ela, desinibida, encantava como sempre.

Essa historinha faz parte de um livro que será lançado na segunda-feira. Há textos curtos sobre a diva, assinados por Carlos Drummond de Andrade, Aníbal Machado, Guilherme Figueiredo, Fernando de Barros, Paulo Mendes Campos, Ronaldo Bôscoli, José Carlos de Oliveira, Paulo Autran.

Tônia Carrero acaba de completar, em agosto, 87 anos. Do fim da década de 1940 até hoje, atuou em 54 peças, 19 filmes, 15 novelas e 9 programas especiais de TV. A fotobiografia, da Coleção Aplauso, leva o título Movida pela Paixão. As fotos do livro homenageiam sua beleza excepcional (confira a galeria abaixo).

A atriz casou três vezes e teve um único filho, que lhe deu quatro netos e cinco bisnetos.

Sempre casei com quem eu quis, mas nunca deu certo”.

Sobre o primeiro marido, Carlos Arthur Thiré: “Era um jovem rebelde, filho de desquitados, civil. Um artista desesperado que num redemoinho envolveu-me, formou-reformou minha cabeça”.

Sobre o segundo marido, o italiano Adolfo Celi: “Foi uma paixão atroz, e como toda paixão acabou um dia. O homem mais importante da minha vida, por ser homem de teatro”.

Sobre o terceiro marido, o empresário César Thedim: “Ele era muito divertido, maravilhoso, não como companheiro. Melhor dos amigos e pior dos maridos”.

O Mulher 7×7 traz para você um resumo da introdução, escrita por Tania Carvalho, a jornalista que conversou com Tônia durante meses para contar sua história.

“Maria Antonietta Portocarrero nasceu em 23 de agosto de 1922, com cabelos castanhos, nariz chatinho, a boca pequenininha. Ainda na maternidade ganhou uma touquinha de filó bordada, uma camisola de opala cor-de-rosa, uma fronha de pongée. Sorriu pela primeira vez no dia 29 de setembro e falou a primeira palavra – mamãe – no dia 12 de fevereiro de 1923.


Tudo isso está carinhosamente registrado no Livro do Bebê, feito pela sua mãe, Zilda de Farias Portocarrero. Falta um dado, porém: o dia em que Mariinha, como era chamada por todos da família, descobriu que não ia ser igual às outras, e que estava fadada a ter bem mais do que uma vida reta e sem sobressaltos, que sua mãe idealizara para ela.

Seu pai, Hermenegildo Portocarrero, chamado por todos de Barão, em função de um título dado a sua família algumas gerações anteriores, dizia a todos que havia pressentido que a única filha seria loura de olho azul, uma princesa.

E realmente ela ficou absolutamente loura no primeiro ano de vida, lindos cachinhos que emolduravam o rosto perfeito desde a infância. Todos os dias, Barão dizia à pequena Mariinha: você é minha rainha, minha dona, só você manda na casa.

Sua mãe, apesar da ternura com que fez o Livro do Bebê, era severa. Criada pela avó, por ter perdido os pais muito cedo, Zilda sempre foi “uma pessoa seca, sem carinho na voz” – relembra Tônia. Queria que a filha tivesse uma vida como a sua, se casasse, tivesse filhos e cuidasse do lar. Heraldo e Humberto, seus outros filhos, que seriam militares como o pai, deviam prestar atenção e zelar pela segurança e honra de Mariinha, a caçulinha da família.

Crítica ao extremo, Zilda foi a primeira a observar: Não tira um retrato natural esta menina! Mariinha gostava de aparecer desde pequena, prenunciando a estrela que iria se tornar poucos anos depois. Embora soubesse que, para ser amada, precisava ser boazinha, viver dentro dos moldes deles, entrar na bitola, no jogo combinado, sabia também que algo a impelia para voos mais longínquos, mesmo que solitários.

Com a mãe, Mariinha de fato nunca se reconciliou, digamos que relevou, perdoou, mas não esqueceu. Mariinha era além do seu tempo. Zilda, aquém.

“Minha mãe me fez sofrer muito, ela foi muito dura comigo. Quando estava velha, eu ia visitá-la, levava umas flores e ela dizia: ‘você é tão gentil comigo’. E eu respondia: ‘eu sou sua filha’. Ela dizia que nunca havia tido uma filha, só filhos. Não me reconhecia, mas, na verdade, acho que ela jamais me conheceu”.

Do pai, guarda sempre uma doce recordação e admiração, quase uma paixão. Militar, engenheiro, diretor do Colégio Militar por muitos anos, Barão tinha um outro lado: amante do teatro, era sempre saudado ao ser visto na primeira fila das platéias cariocas. (…)

Tônia estudou no Instituto de Educação e aos 14 anos começou a namorar firme com “um jovem rebelde, filho de desquitados, civil. Um artista desesperado que num redemoinho envolveu-me, formou-reformou minha cabeça”. Seu nome: Carlos Arthur Thiré, 19 anos. No primeiro dia em que foi na sua casa, Carlos levou um patinete de presente, tão menina que achava ser a namorada. Três anos depois se casaram. E, como Tônia frisa em seu livro de memórias O Monstro dos Olhos Azuis:… não foram felizes para sempre. E complementa: “Acho que casei porque estava muito atraída por ele, e porque queria fugir da minha família”.

Já casada, em 1941, formou-se em Educação Física. Dois anos depois, nascia seu primeiro e único filho, Cecil Thiré. (…)

Um dia, Mariinha fez as malas, deixou Cecil com a Bá Luiza – que havia sido também a sua babá – e com Zilda. E foi com Carlos para Paris estudar teatro. E aí sua vida mudou.

 

Virou realmente Tônia Carrero, após ter aulas com os maiores atores do mundo, dentre eles Jean-Louis Barrault. O nome artístico nascera antes, desde sua pequena participação no primeiro filme, Querida Suzana. Mas depois da temporada em Paris, Tônia virou mais Tônia.

Mulher de muita fibra, talento, beleza, que despertava paixões. O escritor Rubem Braga, por exemplo, apaixonou-se perdidamente por Tônia nessa mesma temporada parisiense, quando seu casamento com Carlos já se deteriorava.

Outra paixão, já no Brasil: Paulo Autran.

“Quando o conheci, me apaixonei completamente. Cecil era bem pequenininho. Achava Paulo um talento para o teatro, mas inventei de fazer uma peça com ele só porque queria ficar perto dele. Paulo era advogado e não queria largar a profissão. Pediu um salário absurdo e deixei de receber só para ficar perto dele, não ganhei um tostão. Com o tempo, a paixão foi acabando, mas o carinho, o respeito, a cumplicidade no palco, a amizade permaneceram até o fim”.

Foi aí que Tônia decidiu tomar o lugar de Cacilda Becker. Onde? No coração, mente e vida de Adolfo Celi, italiano que veio para o Brasil em 1949 para ser o primeiro diretor artístico do TBC. Celi revolucionou o teatro brasileiro e a vida de Tônia. Em 1957, levada pela mão do Barão e sem a presença de Zilda, Tônia e Celi se casaram no Bispo de Maura, que na época oficializava uniões, que a lei e a Igreja Católica não permitiam.

“(…) A minha admiração por Celi era e sempre será infinita”.

Seu terceiro marido foi o empresário César Thedim. Cecil desafiou Tônia: “esse casamento não vai dar certo, você jamais vai ser aceita pelo meio dele”. Tônia, que até hoje não pode ver um desafio que cai dentro, resolveu investir na relação com o homem rico, um típico playboy dos anos 50. (…)

Tônia confessa que nesse terceiro casamento ela buscava outra coisa:

Eu queria aprender a colocar uma mesa bem, usar o copo certo, não sabia nada e nem era indispensável saber, mas naquela época eu sentia que precisava viver isso. Virei uma dondoca durante o meu casamento com César. Logo eu, que vinha de uma família classe média, filha de uma dona-de-casa e de um militar. E contrariando o Cecil fui muito bem aceita por todos do meio de César”.

Tônia usa até hoje o sobrenome Thedim, pois jamais se separou legalmente de César, que morreu em 2000. (…)

Amando com paixão, ela segue a sua vida até hoje. “Tudo na minha vida aconteceu em decorrência de paixões. Sempre quis viver longe da racionalidade. A paixão me empurrou, me fez fazer coisas e por isso não me arrependo de nada”.






Nascimento 23 de agosto de 1922 (88 anos)
Rio de Janeiro, RJ
Nacionalidade Brasil brasileira
Ocupação atriz
Parentesco Cecil Thiré (filho) e Miguel Thiré (neto) e Luísa Thiré (neta)

Tônia Carrero, nome artístico de Maria Antonieta Portocarrero Thedim (Rio de Janeiro, 23 de agosto de 1922) é uma atriz brasileira.

Após longos anos de carreira, é considerada uma das mais consagradas atrizes do Brasil, com marcantes interpretações em cinema, teatro e televisão.

Apesar de graduada em educação física, a formação de Tônia como atriz foi obtida em cursos em Paris, quando já era casada com o artista plástico Carlos Arthur Thiré, pai do ator e diretor Cecil Thiré. Ao voltar da França, protagonizou o filme Querida Suzana. Foi a estrela da Companhia Cinematográfica Vera Cruz, tendo atuado em diversos filmes.

A estréia em teatro foi no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), com a peça Um Deus Dormiu Lá em Casa, onde teve como parceiro o ator Paulo Autran. Após a passagem pelo TBC formou, com seu marido na época, o italiano Adolfo Celi e com o amigo Paulo Autran, a Companhia Celi-Autran-Carrero que, nos anos 50 e 60 revolucionou a cena do teatro brasileiro ao constituir um repertório com peças de autores clássicos, como Shakespeare e Carlo Goldoni, e de vanguarda, como Sartre.

Na TV, um dos seus personagens mais marcantes foi a sofisticada e encantadora Stella Fraga Simpson em Água Viva (1980), de Gilberto Braga. Tônia viria a trabalhar novamente com o autor, em 1983, na novela Louco Amor, dessa vez interpretando a não menos charmosa e chique Mouriel. Tanto em Água Viva como em Louco Amor, Tônia perdeu o papel da vilã para Beatriz Segall e Tereza Rachel, respectivamente. Mesmo assim os dois personagens que interpretou foram um sucesso.

É avó dos atores Miguel Thiré, Luísa Thiré e Carlos Thiré, que é casado com a atriz Isabela Garcia, que é irmã da atriz Rosana Garcia.


Carreira

No teatro

No cinema

  • 2008 - Chega de Saudade
  • 2005 - Vinicius (documentário), com direção de Miguel Faria Jr
  • 1990 - O Gato de Botas Extraterrestre, com direção de Wilson Rodrigues
  • 1988 - Sonhos de Menina Moça, com direção de Tereza Trautman
  • 1988 - Fogo e Paixão, com direção de Isay Weinfeld e Márcio Kogan
  • 1988 - A bela Palomera, com direção de Ruy Guerra
  • 1977 - Gordos e Magros, com direção de Mário Carneiro
  • 1969 - Tempo de Violência, com direção de Hugo Kusnet
  • 1962 - Copacabana Palace, com direção de Steno
  • 1962 - Sócio de Alcova, com direção de George Cahan
  • 1962 - Esse Rio que Eu Amo (episódio Noite de Almirante), com direção de Carlos Hugo Christensen
  • 1961 - Alias Gardelito, com direção de Lautaro Murua
  • 1955 - Mãos Sangrentas, com direção de Carlos Hugo Christensen
  • 1954 - É Proibido Beijar, com direção de Ugo Lombardi
  • 1952 - Apassionata, com direção de Fernando de Barros
  • 1952 - Tico-Tico no Fubá, com direção de Adolfo Celi
  • 1950 - Quando a Noite Acaba, com direção de Fernando de Barros
  • 1949 - Caminhos do Sul, com direção de Fernando de Barros
  • 1947 - Querida Suzana, com direção de Alberto Pieralisi

Na televisão

TONIA CARRERO
(Atriz)
1922-

 



Tonia Carrero se chama Maria Antonieta Porto Carrero. É brasileira, carioca, filha, neta e bisneta de brasileiros. Mas nasceu loira, tipo europeu, com rara beleza. Sua data de nascimento é 23 de agosto de 1922. Seu pai era oficial do Exército Brasileiro, que morreu general.Também seus irmãos seguiram carreira militar. Só a menina, contrariando a vontade materna, “nadou contra a maré”, e bem cedo se interessou por artes, balé, teatro, etc. Formou-se em Educação Física. Esteve na França, estudando francês e balé. Aí já estava casada com um artista requintado de nome Carlos Arthur Thiré. Com ele teve seu único filho Cecil Thiré, também ator. Tonia, bem jovem, deixou o filho com a mesma babá que a criou e com a mãe, e foi para Paris. Ingressou num curso de teatro e percebeu logo que essa era sua grande aspiração, uma vocação “nitidamente indispensável”, ela diz. Sempre lindíssima, a beleza a ajudou, mas não trabalhou em Paris. Só estudou. Outra vez no Brasil, trabalhou no filme “Querida Suzana”, e logo apareceu no jornal uma crônica sobre ela, com o título: “Nasce uma estrela”. Não quis fazer chanchada, não quis fazer Atlântica, queria fazer coisas boas e em boas companhias. Fernando de Barros a ajudou, colocando-a na Compahia de Maria Della Costa. Aí foi para o Rio Grande do Sul e participou de filmes, como: “Caminhos do Sul”, “Perdida pela paixão”, onde foi
protagonista. Em teatro estreou na peça: “Um deus dormiu lá em casa”, com Paulo Autran. Aí ela, seu marido e Autran organizaram uma Companhia de teatro e fizeram inúmeros espetáculos. Tonia já era estrela nacional. Foi então contratada pela Companhia Cinematográfica Vera Cruz, onde fez “Tico-tico no fubá”, “É proibido beijar” . Começou a ganhar muitos prêmios. Ficou amiga de um grande mecenas, Franco Zampari, e entrou para o T.B.C. (Teatro Brasileiro de Comédia), onde fez, com muito sucesso, ”Leito nupcial”. Começou a fazer televisão. Vicente Sesso a chamou para fazer “Sangue do meu sangue” e “Pigmaleão 70” , já na TV Globo. Fez ainda: “O Cafona”, “Primeiro amor”, “Louco amor”, “Esse louco amor”. Trabalhou também no S.B.T.. E nunca mais saiu de televisão, teatro e cinema. Uma carreira densa. Uma carreira completa. Trabalhou também com o filho Cecil Thiré, com quem teve uma companhia. E agora está fazendo “Um equilíbrio delicado” que é uma peça de grande valor, grande “delicadeza”, segundo ela. Tonia Carrero é uma mulher linda ainda, e sobretudo inteligente, que sabe entender as coisas, sabe analisá-las. Sabe, por exemplo, que a carreira de atriz no Brasil tem altos e baixos. Às vezes os textos são bons, às vezes ruíns. É preciso saber passar, saber viver. Prêmios Tonia recebeu todos: “Velho Guerreiro”, “Moliere”, o “APCT”, o “APTESP”, “Prêmio do Mérito Militar”, “Legion des Arts et des Lettres” da França e comendas. Tudo isso e muito mais. Mas, para ela o verdadeiro prêmio foi o filho maravilhoso e inteligente que Deus lhe deu, e que já lhe deu netos e bisnetos. Tonia é bisavó. E feliz com isso. Foi casada por três vezes. E foi muito feliz com seus amores. Sempre homens inteligentes, que muito a ensinaram, segundo ela. Quando lhe perguntam se é vaidosa, responde: “Minha vaidade é melhorar cada vez mais como ser humano, capaz de olhar para os outros, e não apenas para o próprio umbigo. Disso eu sou vaidosa. Sempre procurei e procuro ainda crescer”. Essa é Tonia Carrero, linda ainda em seus 77 anos

   

 

 

 

       
Carrero, Tônia (1922)

Biografia

Maria Antonieta Portocarrero Thedim (Rio de Janeiro RJ 1922). Atriz. Musa de Ipanema dos anos 40, Tônia Carrero torna-se uma atriz de prestigio, protagonizando muitos espetáculos no Teatro Brasileiro de Comédia; posteriormente tendo sua própria companhia, a Companhia Tônia-Celi-Autran. Vencendo o estigma da beleza, firma-se, ao longo do tempo, como uma intérprete madura, e capaz de realizar papéis dramáticos.

Forma-se em educação física e tem sua iniciação teatral num rápido curso com Jean Louis Barrault, em Paris. Depois de fazer pontas, a partir de 1947, em alguns filmes, estréia profissionalmente no palco do Teatro Copacabana, no Rio de Janeiro, em 1949, na companhia de Fernando de Barros, fazendo, ao lado de Paulo Autran e sob a direção de Silveira Sampaio, Um Deus Dormiu Lá em Casa (Anfitrião), de Guilherme Figueiredo, já angariando prêmio de atriz revelação pela Associação de Críticos Cariocas, e chamando logo a atenção pela sua beleza e malícia. Segue-se em 1950, na mesma companhia, e com direção de Ziembinski, Amanhã, Se Não Chover, de Henrique Pongetti.

Em 1951, muda-se para São Paulo, contratada pela Companhia Cinematográfica Vera Cruz; vindo a estrear no Teatro Brasileiro de Comédia, TBC, em 1953, obtendo sucesso pessoal, sob a direção de Adolfo Celi, em Uma Certa Cabana, de André Roussin. Sua curta trajetória no TBC inclui participações em: Uma Mulher do Outro Mundo, de Noel Coward, novamente dirigida por Celi, 1954; no mesmo ano, Negócios de Estado, de Louis Verneuil e no papel-título em Cândida, de Bernard Shaw, ambas direções de Ziembinski; e Santa Marta Fabril S. A., de Abílio Pereira de Almeida, mais uma encenação de Adolfo Celi.

Desliga-se da companhia paulista para fundar no Rio de Janeiro, junto a Adolfo Celi, agora seu marido, e o seu grande amigo Paulo Autran, a Companhia Tônia-Celi-Autran, CTCA, que estréia em 1956 com Otelo, de William Shakespeare, em que Tônia faz uma elogiada Desdêmona. Na empresa da qual é sócia, Tônia protagoniza grande parte das produções, o que lhe permite, no contato com um repertório eclético, ir amadurecendo o seu ofício. Sob a direção de Celi, atua, entre outras, em: A Viúva Astuciosa, de Carlo Goldoni, Entre Quatro Paredes (Huis Clos), de Jean-Paul Sartre, ambas de 1956; Frankel, de Antônio Callado, 1957; Calúnia, de Lillian Hellman, 1958. Em 1960, recebe o Prêmio Governador do Estado de São Paulo de melhor atriz por Seis Personages à Procura de Um Autor, de Luigi Pirandello, estreado no ano anterior.

Em 1965, sem a estrutura da CTCA, sem a presença de Adolfo Celi, que havia guiado e impulsionado a sua carreira, Tônia cria a sua própria empresa, a Companhia Tônia Carrero, que não é mais um conjunto estável, mas uma firma que viabilizará as esporádicas montagens protagonizadas pela estrela. Interpreta com graça, ao lado de Paulo Autran, A Dama do Maxim's, de Georges Feydeau; agora dirigida por outro diretor italiano, Gianni Ratto, 1965. Em 1968, alcança um ponto alto em sua carreira, com a patética Neusa Suely, personagem principal de Navalha na Carne, de Plínio Marcos. Sob a vigorosa direção de Fauzi Arap, artista que muito a influencia nessa fase, Tônia despe-se da sua proverbial beleza e elegância, para mergulhar fundo no sofrimento e nas humilhações de uma miserável prostituta, levando os prêmios Molière e Associação de Críticos Cariocas. Em 1970, volta a ser dirigida por Fauzi, experimentando, em companhia de Paulo Autran, um drástico insucesso em uma montagem de Macbeth, de William Shakespeare. Em 1971, ela interpreta a Nora de Casa de Bonecas, de Henrik Ibsen, sob a direção do seu filho Cecil Thiré. Ainda com ele, em 1974, comemora seus 25 anos de teatro com o grande sucesso comercial de Constantina, de Somerset Maugham. Protagoniza Doce Pássaro da Juventude, de Tennessee Williams, com direção de Flávio Rangel, 1976. Dirigida por Antunes Filho, faz a pesonagem Marta de Quem Tem Medo de Virgínia Woolf?, de Edward Albee, 1978. Com direção de Adolfo Celi, em visita ao Rio de Janeiro, faz a comédia Teu Nome É Mulher, de Marcel Mithois, 1979. Protagoniza A Volta Por Cima, texto e direção de Domingos Oliveira, com direção do autor, 1982. Volta a contracenar com Paulo Autran, e sob a direção deste, no árduo texto de Marguerite Duras, A Amante Inglesa. Interpreta em 1984, com êxito de bilheteria, o papel de Sarah Bernhardt, em A Divina Sarah, de John Murrel, direção de João Bethencourt.

A partir de 1986, Tônia Carrero parece mudar radicalmente os rumos de sua carreira, deixando de investir em clássicos e textos de resultado garantido, para correr o risco na produção e na interpretação de textos modernos, com encenadores de linguagem investigativa. Sua interpretação surpreende público e crítica em Quartett, de Heiner Müller, dirigida por Gerald Thomas, que ela conhece na Off-off Brodway, em Nova York, e traz para o Rio de Janeiro, recebendo o Molière de melhor atriz. Em 1989, sob a direção de Marcio Aurelio, comemora 40 anos de carreira encenando um solo: vivendo Zelda Fitzgerald em Esta Valsa é Minha, de William Luce, Tônia mostra agilidade movimentando-se coreograficamente entre tapadeiras móveis no palco do Teatro Glória. Em 1990, reencontrando o parceiro de cena Paulo Autran, aventura-se em Mundo, Vasto Mundo, uma coletânea de textos de Carlos Drummond de Andrade (1902 - 1987).

Na década de 1990, atua novamente sob a direção do filho Cecil Thiré em Ela É Bárbara, de Barillet e Grédy. Em 1999, associa-se mais uma vez a um encenador mais jovem, Eduardo Wotzik, para realizar Um Equilíbrio Delicado, de Edward Albee. Em 2000, está ao lado de Renato Borghi em O Jardim das Cerejeiras, de Anton Tchekhov, direção de Élcio Nogueira.

Desde o início de sua carreira, Tônia mantém trabalho regular no cinema e na televisão.

O crítico Yan Michalski analisa seu crescimento como atriz: "Tônia Carrero (...) ocupa uma posição à parte entre as atrizes da sua geração. A sua estonteante beleza e a sua inata aura de estrela criaram em torno dela, por muito tempo, a imagem de uma atriz inegavelmente sedutora, mas um tanto peso leve e superficial, predestinada a brilhar em comédias inconseqüentes, mas dificilmente apta a enfrentar desafios mais complexos. Ela foi afiando pacientemente o seu instrumental interpretativo, revelando progressivamente uma sensibilidade, uma intuição e uma gama de recursos que lhe permitem abordar papéis frontalmente opostos à sua imagem padronizada. E a maturidade trouxe-lhe uma ousadia que tem ampliado substancialmente a sua dimensão de artista, sem prejuízo da sua presença sempre elegante e sedutora, e dotada de um prodigioso dom de eterna jovialidade".1

Notas

1. MICHALSKI, Yan. Tônia Carrero. In:_________. PEQUENA Enciclopédia do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material inédito, elaborado em projeto para o CNPq. Rio de Janeiro, 1989.


 
 

http://colunas.epoca.globo.com/mulher7por7/2009/09/09/tonia-carrero...

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Exibições: 12943

Tags: Origem:, Wikipédia, a, enciclopédia, livre.

Comentar

Você precisa ser um membro de Revista virtual Metamorphosis para adicionar comentários!

Entrar em Revista virtual Metamorphosis


ADMINISTRADOR
Comentário de Antonio Cícero da Silva(Águia) em 18 agosto 2013 às 11:54

Simplesmente esplêndida!!!


ADMINISTRADOR
Comentário de Antonio Cícero da Silva(Águia) em 3 janeiro 2013 às 23:40

Tonia Carreiro... Grande brasileira nossa, do cinema, teatro e da televisão... Um valoroso talento, a nos alegrar... Excelente!... 


ESCRITORES E POETAS
Comentário de LEOMARIA MENDES SOBRINHO em 2 agosto 2011 às 1:59

Que pesquisa maravilhosa.Amei, pois sou fâ de Tônia e do seu talento.

Comentário de Anna Karenina em 24 fevereiro 2011 às 0:43
ESPETACULAR!

ESCRITORES E POETAS
Comentário de Assis Coimbra em 23 fevereiro 2011 às 22:32
Bela postagen, parabens. Abraços "ECORDELADOS".

Sobre

             PRÊMIO  DARDOS OFERECIDOA BLOGUEIROS

Francisca de Caldas Menduiña

Últimas atividades


ADMINISTRADOR
2 posts do blog de Antonio Cícero da Silva(Águia) foram destacados
7 segundos atrás
Anna Karenina deixou um comentário para Lara
"Seja bem-vinda!"
2 minutos atrás
Ícone do perfilLara, Miriam Panighel Carvalho e Dalton de Barros Santos foram destacados
2 minutos atrás
Ícone do perfilLara e Dalton de Barros Santos entraram em Revista virtual Metamorphosis
3 minutos atrás

ADMINISTRADOR
Gizelda Dantas comentou a postagem no blog Sem título de Idelfonso vasconcelos pereira
"Bom dia poeta Idelfonso, quando se está apaixonado o amor nos faz  todo este bem... e vamos crer que o amor nos d~e todos estes motivos para continuar-nos parabéns , eu simplesmente amei te ler abraços"
3 minutos atrás

ADMINISTRADOR
Gizelda Dantas marcou como favorita a postagem no blog Sem título de Idelfonso vasconcelos pereira
6 minutos atrás

ADMINISTRADOR
Gizelda Dantas comentou a postagem no blog LIVRES PENSAMENTOS de MARCANTONIO DE OLIVEIRA
"Poeta, amei teus pensamentos, profundos e sinceros.. parabéns abraços"
10 minutos atrás

ADMINISTRADOR
Gizelda Dantas marcou como favorita a postagem no blog LIVRES PENSAMENTOS de MARCANTONIO DE OLIVEIRA
11 minutos atrás

ADMINISTRADOR
Gizelda Dantas comentou a postagem no blog Abraça de Antonio Cícero da Silva(Águia)
"Uma frase curta onde se quer dizer muito, o abraço é remédio para tantas coisas, ou seja tantos mal  que assola esta humanidade, deveríamos abraçar todos sem distinção porque o abraço…"
13 minutos atrás

ADMINISTRADOR
Gizelda Dantas marcou como favorita a postagem no blog Abraça de Antonio Cícero da Silva(Águia)
16 minutos atrás

ADMINISTRADOR
Gizelda Dantas comentou a postagem no blog Verdadeira amizade de Antonio Cícero da Silva(Águia)
"Poeta Antonio Cicero, feliz daquele que pode encontrar um verdadeiro amigo!!! eles estão em extinção... abraços"
17 minutos atrás

ADMINISTRADOR
Gizelda Dantas marcou como favorita a postagem no blog Verdadeira amizade de Antonio Cícero da Silva(Águia)
20 minutos atrás

ADMINISTRADOR
Gizelda Dantas comentou a postagem no blog Ser sincero de Antonio Cícero da Silva(Águia)
"Bom dia caro amigo Antonio Cicero, venho sentido tua falta aqui, concordo inteiramente com tua frase"ser sincero é ser transparente e real" muito profunda!!! a sinceridade para mim é vida mesmo que machuque, te tire do…"
21 minutos atrás

ADMINISTRADOR
Gizelda Dantas marcou como favorita a postagem no blog Ser sincero de Antonio Cícero da Silva(Águia)
25 minutos atrás
Anna Karenina respondeu à discussão CIRANDA DE POESIAS MARIA HELENA CAMPOS DA PAZ de Anna Karenina
"Conflitos da idade Jamais imaginei que aqui chegaria Depois de muitas luas Muitas estações do ano Me fixei no outono Minha vida foi e minha morte vem Talvez hoje Amanhã Talvez nunca... Esse sentimento de eternidade persiste em…"
38 minutos atrás

ADMINISTRADOR
SELDA KALIL respondeu à discussão PRECONCEITOS de Gizelda Dantas no grupo ACRÓSTICOS/ DEPRESSÃO E POESIA
"MINHA QUERIDA GIL LI ATENTAMENTE TODO SEU TEXTO E DESTAQUEI-O COMO UMA BELA REFLEXÃO ONDE TODOS DEVERIAM LER  PELA SINCERIDADE  QUE TUA ALMA ESCREVEU, O PRECONCEITO ESTÁ ESPALHANDO POR TODO UNIVERSO,DENTRO DE UMA SOCIEDADE…"
7 horas atrás

ADMINISTRADOR
SELDA KALIL comentou a postagem no blog Dança comigo de SELDA KALIL
"ANTONIO CICERO HÁ QUANTO TEMPO AMIGO UM PRAZER IMENSO TE-LO DE VOLTA CONOSCO NOSSO ABRAÇO...E OBRIGADA"
7 horas atrás

ADMINISTRADOR
SELDA KALIL comentou a postagem no blog Dança comigo de SELDA KALIL
"MARIA HELENA MINHA FLOR OBRIGADA AMIGA QUERIDA PELA LINDA PRESENÇA DANÇAR FAZ BEM A ALMA E ESTA MINHA DANÇA POÉTICA ESTÁ PRA LÁ DE SENSUAL RSRSRSRS BEIJOS AMIGA IRMÃ DCORAÇÃO"
7 horas atrás

ADMINISTRADOR
SELDA KALIL comentou a postagem no blog Dança comigo de SELDA KALIL
"OI JANETE QUERIDA AMIGA DANÇAR FAZ BEM AS NOSSAS ALMAS E ESTA MINHA DANÇA É ORA LÁ DE SENSUAL RSRSRSRSRS OBRIGADA MINHA QUERIDA PELA LINDA PRESENÇA BEIJOS SEMPRE"
7 horas atrás

ADMINISTRADOR
SELDA KALIL comentou a postagem no blog Dança comigo de SELDA KALIL
"ANTONIO PAIVA UMA HONRA SUA PRESENÇA COM ESTE LINDÍSSIMO DESTAQUE OBRIGADA POR ESTAR CONOSCO NESTA JORNADA POÉTICA MEU ABRAÇO"
7 horas atrás

Notas

Compreeendemos Maria Helena a sua ausência

Criado por Mileidi Consalter 7 Out 2013 at 15:28. Atualizado pela última vez por Mileidi Consalter 7 Out, 2013.

AMIGOS! ME PERDOEM!

Criado por Maria |Helena Campos da Paz 7 Out 2013 at 15:16. Atualizado pela última vez por Maria |Helena Campos da Paz 7 Out, 2013.

Badge

Carregando...

© 2014   Criado por Anna Karenina.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço