SE EU TE CONTAR A MINHA HISTÓRIA, NÃO CHORE AMIGO VELHO

POESIA GAÚCHA

 

Se Eu Te Contar a Minha História, Não Chore Amigo Velho

 

 

Amigo velho, prepare a água na cambona

Quero tomar um mate amargo, enquanto eu bebo essa amarga essência

Pois eu vou lhe contar, como foi essa história.

 

 

Eu vou ter que retroceder muitas luas

Ir à busca de meu passado, que muito me atormenta

Onde a morte sentou ao meu lado, bem no momento que eu enfrentava a poeira da estrada.

 

 

Cabisbaixo, com a poeira do tempo em minha boina

Parecendo fazer uma oração bem larga

Esquecendo de minhas vontades, olhei para o horizonte e me deu um frio na espinha.

 

 

O céu cobriu-se de nuvens cinza

Os pássaros sumiram com seus vôos e cantorias

E vivi o mais profundo silêncio, enquanto a morte toca em minhas costas.

 

 

A morte me falava de sua obrigação traiçoeira

Que tinha que levar a minha alma de artista

E eu não agüentei a tamanha tristeza.

 

 

Pensei! Como pode me tirar a minha poesia

Refleti! É minha poesia quem cobre de felicidade a minha vida

E atirei o meu corpo no chão, e pedi mais uns dias.

 

 

Implorei ajoelhado, não leve minha alma campesina

É tudo o que eu tenho senhora das madrugadas frias

Deixe-me assim como estou, e que eu siga recitando os versos em linhas infinitas.

 

 

Não tenho mais lágrimas para derramar

Tudo secou mediante a sua fala, até mesmo a viola chorou sua última melodia

Não querendo mais tocar suas cordas.

 

 

Respirei o ar de minha própria sombra

Calei-me estremecendo as estruturas

De um corpo que não compreende as tais pronúncias.

 

 

A morte me deu um abraço apertado

Disse-me ó nobre poeta gaúcho

Fique com sua alma de artista, levanta-te e recite seus versos.

 

 

Não posso levar a alma de quem tem coração puro

Também não posso me apoderar daquilo que não cabe no túmulo

Pois sua alma de artista é luz e não vive no escuro, e assim a morte se despediu sumindo nas sombras.

 

 

Por isso amigo velho, não chore suas lágrimas emotivas

Sirva-me mais um mate amargo, e senta-te ao meu lado, que eu vou cambiar o rumo dessa prosa

Enquanto a natureza devolve para o céu as nuvens brancas, para que os pássaros possam novamente cantar suas cantorias.

 

 

ESCRITOR POETA GAÚCHO, MARCANTONIO DE OLIVEIRA

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Comentário de ROSEMARIE PARRA em 17 junho 2017 às 8:47


Administrador
Comentário de Maria |Helena Campos da Paz em 14 junho 2017 às 17:38

POETA MARCANTONIO TOCANTE E EMOCIONANTE INSPIRAÇÃO!

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