O migrante

terra seca...
Nem orvalho existe mais,
Lá nada mais brota
A não ser sede e fome
E muita dor no coração
A tristeza é tão grande!
E os filhos estão morrendo
Por falta de água e pão.

Vou te deixar, minha terra
Onde nasci, e fui criado
Vou ver se arrumo emprego
Longe deste sertão
Pois aqui já sofri tanto...
Até as lágrimas secaram
De tanto que já chorei.

Adeus minha terra!
Um dia eu voltarei
Quando a chuva cair
E o verde aparecer...
Lá... Vai-se o retirante,
Levando naquele bornal
A saudade do sertão,
Vai para uma terra distante!
Sem saber que encontrará
Lá ficara sozinho,
Sem família nem amigos
E, nas noites solitárias
De saudades sofrerá
Com certeza, vai chorar.

E o emprego cadê?
Nada arrumo pra fazer
Quero trabalhar não consigo
Só nasci para sofrer?
Hoje quem sabe arrumo
De servente, ou de pedreiro
Pois águo aqui, eu tenho
Já matei a minha sede
Agora só falta o pão.

Saudades da minha terra...
Onde todos são irmãos
Nesta terra mato a sede
Só não mato a solidão,
E o preconceito, irmão
Sinto tanto desprezo
Por parte desta cidade
já sei que norte, e nordeste
Saíram fora deste mapa
Ou será que estou perdido
E entrei noutro pais?

Aqui eu sinto o desprezo
Do povo desta cidade
Sinto tanta solidão
E falta de proteção
Pois aqui sentem vergonha
Deste pobre nordestino
Que veio só trabalhar
Para se alimentar.

Povo do meu Brasil!
Ajuda aos teus irmãos
Pois o norte e o nordeste
Fazem parte desta nação
À água não cai do céu
Mais pode sair do chão
É só ter boa vontade
E um bondoso coração
Cuida bem deste teu povo
Que por certo,
Eles não mais migrarão

Sou migrante meus irmãos
Ainda criança migrei
A saudades era grande,
Da terra onde nasci
Senti frio, e desprezo
Senti tanta humilhação
Nos achavam sem valor,
Pois, eu garanto a vocês
Que nosso valor é grande!
Porque temos sentimentos
Porque o nosso sofrer
Sai lá... Do fundo... Da alma
Em forma de poesia.

Autora: TerezinhaO C Werson
SOMOS TODOS IRMAOS.SOMOS GENTE.

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Comentário de Arlete Brasil Deretti Fernandes em 8 novembro 2010 às 11:54
Muito triste, muito verdadeiro. Poesia saída do fundo de um coração sensível. Beijos.
Comentário de Anna Karenina em 8 novembro 2010 às 8:45
SEM PALAVRAS
Comentário de Anna Karenina em 8 novembro 2010 às 8:45

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