BOITATÁ

Em tempos mui antigos, que as gentes mal se lembram, houve um grande dilúvio, que afogou até os cerros mais altos.

Pouca gente e poucos bichos escaparam - quase tudo morreu.

Mas a cobra-grande, chamada pelos índios de Guaçu-boi, escapou.

Tinha se enroscado no galho mais alto da mais alta árvore e lá ficou até que a enchente deu de si as águas começaram a baixar e tudo foi serenando, serenando...

Vendo aquele mundaréu de gente e de bichos mortos, a Guaçu-boi, louca de fome, achou o que comer.

Mas - coisa estranha! - Só comia os olhos dos mortos.

Diz-que os viventes, gente ou bicho, quando morrem guardam nos olhos a última luz que viram.

E foi essa luz que a Guaçu-boi foi comendo, foi comendo...

E aí, com tanta luz dentro, ela foi ficando brilhosa.

Não de uma luz de fogo bom e quente. Mas de uma luz fria e meio azulada.

E tantos olhos comeu e tanta luz guardou, que um dia a Guaçu-boi arrebentou e morreu, espalhando esse clarão gelado por todos os rincões.

Os índios, quando viram aquilo, assustaram-se, não mais reconhecendo a Guaçu-boi.

Diziam, cheios de medo: "Mboi-tatá! Mboi-tatá!", que lá na língua deles quer dizer: Cobra de fogo! Cobra de fogo!

Às vezes, Boitatá é visto como um facho cintilante de fogo correndo de um lado para outro da mata.

No Nordeste do Brasil é chamado de "Cumadre Fulôzinha".

Para os índios ele é "Mbaê-Tata", ou Coisa de Fogo, e mora no fundo dos rios.

A ciência diz que existe um fenômeno chamado fogo-fátuo . (Labareda ténue e fugidia produzida pela combustão espontânea do gás metano.)

São os gases inflamáveis que emanam dos pântanos, sepulturas e carcaças de grandes animais mortos e, que visto de longe, parecem grandes tochas em movimento.

Nomes comuns: No Sul; (São Paulo), Baitatá, Batatá, Bitatá. No Nordeste; (Bahia), Batatão e Biatatá. Entre os índios; Mbaê-Tata.

Origem provável: É de origem Indígena. Em 1560, o Padre Anchieta já relatava a presença desse mito. Dizia que entre os índios era a mais temível assombração.

Já os negros africanos, também, trouxeram o mito de um ser que habitava as águas profundas e que saía, quando era noite, para caçar. Seu nome era Biatatá.

Boitatá é um mito que sofre grandes modificações conforme a região.

Em algumas regiões por exemplo, ele é uma espécie de criatura protetora das florestas contra as queimadas.

Já em outras, ele é causador dos incêndios na mata.

Para muitos ele é o espírito de gente ruim ou almas penadas e, por onde passa, vai tocando fogo nos campos.

E até hoje o Boitatá anda errante pelas noites do Rio Grande do Sul.

Ronda os cemitérios e os banhados. É destes lugares que ele sempre costuma sair, para perseguir os campeiros.

Por isso, a gauchada sabida dos Pampas, depois que fica escuro evita, sempre, passar por perto de onde vive esta assombração.


Fontes: Lendas Gaúchas e Lendas do Brasil
Ilustração:Google Imagens Free


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jones

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