A LENDA DE IEMANJÁ - A RAINHA DAS ÁGUAS


IEMANJÁ

No dia 2 de Fevereiro se realizam as festas em homenagem à "Rainha do Mar". A celebração envolve milhares de pessoas que, trajadas de branco, saem em direção ao Mar ou aos Rios, onde depositam variedades de oferendas: espelhos, bijuterias, comidas, perfumes e toda sorte de agrados.

É considerada, por muitos, como a maior festa religiosa do Brasil.

Existe um sincretismo entre a santa católica Nossa Senhora dos Navegantes e a orixá da Mitologia Africana Iemanjá. Em alguns momentos, inclusive nestas festas, a homenagem as duas se fundem.

Costuma-se festejar este dia com uma grande procissão fluvial.

Além de Salvador, na Bahia, uma das maiores festas ocorre em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, devido ao sincretismo com Nossa Senhora dos Navegantes.

Também na cidade de Pelotas, a imagem de Nossa Senhora dos Navegantes vai até o Porto de Pelotas- RS.

Antes do encerramento da festividade católica acontece um dos momentos mais marcantes da festa de Nossa Senhora dos Navegantes: as embarcações param e são recepcionadas por umbandistas que carregavam a imagem de Iemanjá, proporcionando um encontro ecumênico assistido por milhares de pessoas.

A LENDA

Iemanjá era a filha de Olokun, a deusa do mar.
Em Ifé, ela tornou-se a esposa de Olofin-Odudua,
com o qual teve dez filhos.

Estas crianças receberam nomes simbólicos e todos tornaram-se orixás.

Um deles foi chamado Oxumaré, o Arco-Íris, "aquele-que-se desloca-com-a-chuva-e-revela-seus-segredos."

De tanto amamentar seus filhos, os seios de Iemanjá tornaram-se imensos.

Cansada da sua estadia em Ifé,
Iemanjá fugiu na direção do "entardecer-da-terra",
como os iorubas designam o Oeste, chegando a Abeokutá.

Ao norte de Abeokutá, vivia Okere, rei de Xaki.

Iemanjá continuava muito bonita.

Okere desejou-a e propôs-lhe casamento.

Iemanjá aceitou mas, impondo uma condição, disse-lhe:
"Jamais você ridicularizará da imensidão dos meus seios."
Okere, gentil e polido, tratava Iemanjá com consideração e respeito.

Mas, um dia, ele bebeu vinho de palma em excesso.

Voltou para casa bêbado e titubeante.
Ele não sabia mais o que fazia.
Ele não sabia mais o que dizia.
tropeçando em Iemanjá, esta chamou-o de bêbado e imprestável.
Okere, vexado, gritou:
"Você, com seus seios compridos e balançantes!
Você, com seus seios grandes e trêmulos!"

Iemanjá, ofendida, fugiu em disparada.

Certa vez, antes do seu primeiro casamento,
Iemanjá recebera de sua mãe, Olokun,
uma garrafa contendo uma poção mágica pois, dissera-lhe esta:
"Nunca se sabe o que pode acontecer amanhã.
Em caso de necessidade, quebre a garrafa, jogando-a no chão."

Em sua fuga, Iemanjá tropeçou e caiu.
A garrafa quebrou-se e dela nasceu um rio.

As águas tumultuadas deste rio levaram Iemanjá em direção ao oceano, residência de sua mãe Olokun.

Okere, contrariado, queria impedir a fuga de sua mulher.

Querendo barrar-lhe o caminho, ele transformou-se numa colina,
chamada ainda hoje, Okere, e colocou-se no seu caminho.

Iemanjá quis passar pela direita, Okere deslocou-se para a direita.
Iemanjá quis passar pela esquerda, Okere deslocou-se para a esquerda.
Iemanjá, vendo assim bloqueado seu caminho para a casa materna,
chamou Xangô, o mais poderoso dos seus filhos.

Xangô veio com dignidade e seguro do seu poder.

Ele pediu uma oferenda de um carneiro e quatro galos,
um prato de "amalá", preparado com farinha de inhame,
e um prato de "gbeguiri", feito com feijão e cebola.

E declarou que, no dia seguinte, Iemanjá encontraria um lugar por onde passar.

Nesse dia, Xangô desfez todos os nós que prendiam as amarras da chuva. Começaram a aparecer nuvens dos lados da manhã e da tarde do dia.

Começaram a aparecer nuvens da direita e da esquerda do dia.

Quando todas elas estavam reunidas, chegou Xangô com seu raio.
Ouviu-se então: Kakará rá rá rá...
Ele havia lançado seu raio sobre a colina Okere.
Ela abriu-se em duas e, suichchchch...
Iemanjá foi-se para o mar de sua mãe Olokun.
Aí ficou e recusa-se, desde então, a voltar em terra.
Seus filhos chamam-na e saúdam-na.

Mas, a Mãe do rio, não voltou mais.

Iemanjá, a rainha das águas, usa roupas cobertas de pérolas.
Ela tem filhos no mundo inteiro.

Iemanjá está em todo lugar onde o mar vem bater-se com suas ondas espumantes.

Seus filhos fazem oferendas para acalmá-la e agradá-la.


Fontes: Wikipédia e Livro Lendas Africanas dos Orixás

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